A incerteza da escrita 

Todos nós começamos a trilhar esse caminho por algum motivo. Uns sempre tiveram uma certa inclinação, outros estavam tão desesperados, precisavam ver algo da sua alma pelo lado de fora. Os motivos são muitos, mas depois de algum tempo as coisas se assentam. Continuamos, vamos para a página em branco, mas algo mudou. A página? Você? Questionamentos nos invadem, começamos a olhar para a nossa jornada, é curioso, um novo momento, começamos a pensar sobre a nossa maneira de entrar no mundo das palavras, temos um objetivo? Queremos apenas seguir um certo fluxo? Uma perseguição, estamos perseguindo um sentimento ou apenas uma sensação que está dentro do nosso peito? Ela ainda está lá? Ela ainda é suficiente?

Gosto das perguntas, mas notei que com o tempo elas resultaram em paralisia, e distância da folha em branco, tive que procurar algumas coisas, ferramentas que continuam me auxiliando nesta pequena e poderosa jornada.

 

Comece a ler livros de autores e autoras renomados falando sobre o seu próprio trabalho.

É mágico ler que tantos artistas gigantescos, não estavam tão certos sobre as próprias criações, tinham medo e muitas inseguranças. Alguns não reliam, outros achavam até graça quando eram entendidos. É uma verdadeira dose de humanidade, mas também há lindas passagens e reflexões onde podemos sentir o perfume do amor e respeito que esses gigantes tinham por essa arte tão grandiosa, a escrita.

 

Deixo aqui algumas indicações de livros que seguem a premissa do que comentei no parágrafo anterior:

Fico besta quando me entendem (Hilda Hilst)

Esse ofício do verso (Jorge Luís Borges)

Escrever para não enlouquecer (Bukowski)

 

Escrever para não ser lido

Escrever para nada. O que eu percebo é que muito da produção atual está voltada para se tornar “conteúdo” no instante seguinte. Autores, principalmente os de poesia, escrevem já pensando em postar nas redes sociais. E perdem o prazer da coisa, primeiro escreva.

Não pense em ser lido, não pense no leitor, não nesse momento. Só escreva, desabafe, desabe, crie um personagem, uma pequena história, talvez uma dessas pequenas sementes será de grande valia em um futuro, mas não hoje.

 

Crie séries

Sim, textos sobre um mesmo tema, sobre um mesmo lugar, sobre uma foto, sobre pessoas, use a memória, fotografias, descubra um pequeno mundo, fuja de um lugar comum, explore outros gêneros, é um mundo imenso e não explorado. Acredite.

 

Passeie pela insegurança

A escrita é sempre uma aproximação, nunca vamos conseguir dizer realmente o que queremos, vamos estar mais perto ou mais longe, depende do dia, do projeto, da nossa vida, do seu estilo de escrita. Essa insegurança é justamente aquilo que nos faz voltar todos os dias para a página em branco, que move as engrenagens da criação de um texto, de um poema, de um conto.

Lembre-se que é uma construção, quase como um trabalho, cheio de prazer e cansaço, e de muitas outras sensações, mas tão maravilhoso e único.

 

Temos a sorte de ver alguém lendo e habitando essa pequena obra da nossa alma. E isso compensa tudo.

 Um abraço